Multi Family Office
Fechamento de mês

Agosto

2026


Às famílias leitoras,

Entre as matérias que enviamos semanalmente aos nossos clientes, uma em especial merece abrir esta carta. No fim de julho, o Wall Street Journal e boa parte da imprensa financeira noticiaram o colapso do Situational Awareness, o fundo de Leopold Aschenbrenner.

O mês em números

Variação · Agosto 2026
Brasil
CDI
Juros de referência da economia
+1,09%
IMA-B
Títulos públicos indexados à inflação
+1,58%
IHFA
Índice de fundos multimercado (Anbima)
+1,64%
IFIX
Fundos de investimento imobiliário
−0,56%
IBOVESPA
Bolsa brasileira
−0,33%
Global
S&P 500
500 maiores empresas listadas nos EUA
+2,62%
NASDAQ
Bolsa de tecnologia americana — a maior alta
+4,18%

A tese do fundo era, em essência, investir nas empresas que poderiam ser grandes vencedoras de um mundo transformado pela inteligência artificial. Apesar de contemporânea, a ideia não era muito diferente de outras teses de alta convicção no mercado: identificar uma grande tendência, concentrar investimentos e buscar retornos expressivos.

O fundo comprava empresas, listadas e privadas, com alavancagem extrema: algo como quatro vezes o capital dos investidores. Alavancagem é dívida, o gestor toma emprestado para comprar mais do que o caixa permitiria. Quando o ativo sobe, o ganho é multiplicado; quando cai, a perda também. E, no meio do caminho, o credor pode exigir mais garantias. Foi exatamente o que aconteceu: a queda das ações de IA em julho disparou as chamadas de margem, e o fundo foi obrigado a vender para cobrir garantias, no pior momento possível.

Grande parte da carteira listada foi vendida com desconto ao Citadel, outro gigante do mercado. Em pouco mais de um mês, as posições públicas do fundo perderam quase 67% do valor. Já em agosto a bolsa americana se recuperava, inclusive as ações de IA. As mesmas posições que quebraram o Situational Awareness voltaram a subir, agora no balanço de outro.

Compartilhamos essa história porque ela ilustra bem o mercado que estamos vivendo: uma combinação de oportunidades relevantes com riscos que, muitas vezes, não são igualmente evidentes.

As forças do mês

O que moveu os preços

01

Juros globais — mais altos por mais tempo

Conflitos geopolíticos e inflação persistente levaram o mercado global a precificar juros mais altos por mais tempo, com títulos de renda fixa negociando a taxas maiores. Nos últimos anos, juro mais alto costumava significar reprecificação para baixo dos ativos de risco.

02

Bolsas resilientes — produtividade & ciclo de IA

Agosto foi diferente: as expectativas de ganho de produtividade e o ciclo de investimento em inteligência artificial sustentaram as bolsas americana e asiática.

O S&P 500 subiu mais de 2,5% e a Nasdaq mais de 4%, recuperando as perdas de julho e renovando máximas históricas. É um mercado de ações que continua resiliente sob um cenário macro que não ajuda.

03

Brasil — desafios antigos, alívio nas taxas

Enquanto isso, o Brasil continua enfrentando desafios mais antigos. Equilíbrio fiscal, qualidade das políticas públicas, endividamento e confiança ainda ocupam o centro das discussões. O mundo parece dirigir a 200 km/h enquanto ainda estamos aprendendo a pedalar.

Ainda assim, o mês trouxe algum alívio nas taxas de juros locais, que permanecem em níveis extremamente elevados mesmo para os padrões históricos brasileiros. Se essa tendência continuar, podemos começar a ver algum alívio, ainda que gradual, sobre o custo de capital das empresas brasileiras, um fator importante em um ambiente em que o endividamento tem contribuído para o aumento das recuperações judiciais.

Dentro desse contexto vimos uma boa performance dos ativos em carteira, seja no âmbito da renda fixa ou entre os ativos de risco.

Equipe CIMO · Multi Family Office