Multi Family Office
Fechamento de mês

Julho

2026


Às famílias leitoras,

Já está no preço. Uma frase comum no mercado financeiro, cujo significado, no entanto, muitas vezes não fica claro para o interlocutor. Os eventos de julho são um exemplo perfeito para explorar essa dinâmica de precificação.

O mês em números

Variação · Julho 2026
Brasil
CDI
Juros de referência da economia
+1,22%
IMA-B
Títulos públicos indexados à inflação
+0,97%
IHFA
Índice de fundos multimercado (Anbima)
−0,19%
IFIX
Fundos de investimento imobiliário
−0,86%
IBOVESPA
Bolsa brasileira
+3,47%
Global
S&P 500
500 maiores empresas listadas nos EUA
−0,13%
NASDAQ
Bolsa de tecnologia americana — a maior queda
−2,56%

O mercado financeiro está sempre de olho no futuro. Os ativos negociados são, em essência, promessas de pagamentos futuros, seja uma LCI emitida por um banco, uma debênture, uma duplicata dentro de um FIDC ou mesmo uma ação. O que compramos quando adquirimos um ativo financeiro é a promessa de receber algo: um valor pré-acordado, no caso do crédito, ou uma parte dos lucros, no caso das ações.

Por consequência, quem negocia o futuro reage naturalmente a mudanças nas expectativas sobre como esse futuro vai se desenrolar, algo difícil de replicar em outras áreas da economia. Mesmo sabendo que sua academia vai subir a mensalidade no mês que vem, você dificilmente conseguiria antecipar todos os treinos do mês seguinte para hoje, enquanto ainda estão mais "baratos". Mesmo preocupado com o conflito no Irã, seria pouco prático estocar gasolina em casa.

No mercado financeiro é diferente: se suas expectativas mudam, você pode vender, trocar ou substituir em minutos. A consequência é que o preço não reage a acontecimentos, e sim a expectativas de acontecimentos.

Em julho não foi diferente. Duas expectativas pesaram sobre os ativos: a geopolítica e a econômica.

As forças do mês

O que moveu os preços

01

Geopolítica — Irã & petróleo

Do lado geopolítico, o conflito no Irã continua a assombrar o preço do petróleo. Note que, como dito acima, o principal fator por trás dos preços não é quanto petróleo flui hoje pelo Estreito de Ormuz, mas qual é a expectativa para o cenário nos próximos meses, e até anos. É exatamente por isso que o vai e vem de possíveis acordos e cessar-fogos gera tanta variação diária: o futuro é incerto e, portanto, sensível ao menor dos comentários.

02

A economia americana — Jobs Report & juros

No âmbito econômico, o relatório de emprego americano, o Jobs Report, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics, mostrou, tanto no início de julho quanto no início de agosto, um arrefecimento do mercado de trabalho: menos contratações e menos pessoas procurando emprego. Uma economia menos aquecida.

E aqui voltamos à distância entre expectativa e realidade. Um dado mais fraco parece, à primeira vista, uma notícia ruim. Só que ele implica maior probabilidade de corte de juros para sustentar essa economia em desaceleração, bancos centrais sobem juros em economias hiperaquecidas e cortam na situação contrária.

Desde que a economia mais fraca não chegue a comprometer os lucros das empresas, a queda de juros beneficia quem carrega ativos financeiros, seja crédito ou ações. Todos eles são precificados em relação à taxa básica. Se a economia promete menos juros, o preço hoje de uma promessa futura naturalmente sobe.

03

Brasil — eleição & Ibovespa

Foi essa combinação que trouxe a volatilidade do mês, com cada evento puxando para um lado. No Brasil, o cenário eleitoral parece ter congelado qualquer novidade no âmbito de políticas públicas, e mesmo a melhora do Ibovespa não parece ancorada em fatores estruturais.

Equipe CIMO · Multi Family Office